Ficando Longe do Fato de Já Estar Meio Que Longe de Tudo – David Foster Wallace

Sinopse: Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo reúne alguns dos mais significativos ensaios de David Foster Wallace. Embora seja mais conhecido por sua obra de ficção, que inclui, entre outros títulos, o aclamado romance Infinite Jest (1996), Wallace também foi um ensaísta e repórter brilhante, que deixou marcas no jornalismo literário e exerce hoje uma influência comparável à de Hunter S. Thompson. Com a proposta de fornecer uma porta de entrada ao universo literário do autor, o volume abriga três reportagens – entre elas o famoso “texto do navio”, o relato de um cruzeiro pelo Caribe -, uma palestra sobre Kafka, uma crônica poderosa sobre o tenista Roger Federer e “Isto é água”, o discurso de paraninfo que se difundiu como um viral inspirador pela internet.

Nacionalidade do autor: 
Ano da publicação do texto: 2012 (coletânea de textos da década de 1990)

Antes de tudo, esqueça qualquer preconceito sobre ler ensaios. O que você terá ao ler esse livro é a experiência de escutar alguns depoimentos extremamente sinceros e cativantes de um amigo que você conhece há tempos, tamanha é a fluidez do texto de Wallace.

Sobre o livro, trata-se de uma coletânea de 6 ensaios. O primeiro é a experiência de DFW ao ir em uma feira agropecuária no interior dos EUA. Logo de cara, temos um relato honesto e bem engraçado sobre o que esse peculiar cidadão vivenciou na feira. Desde se empanturrar de doces ao se passar por um repórter de uma revista de culinária até comentar sobre seu medo de experiências quase-morte em brinquedos de parques de diversão. O segundo ensaio relata uma viagem de Wallace em um cruzeiro de luxo pelo caribe e suas descrições e comentários sobre as pessoas do cruzeiro, as coisas com que se espantava (como o funcionamento da privada de seu banheiro!), até os eventos mais atípicos, como a derrota que sofreu no xadrez para uma menina infeliz de 9 anos.

Esses dois primeiros ensaios são no mínimo geniais, engraçados e, como disse no início da resenha, cativantes. A minha expectativa ao ler o terceiro ensaio, que versa sobre a comédia nos textos de Kafka, era um pouco mais baixa, pois talvez se tratasse de um texto mais acadêmico. E pimba, eu estava errado. Esse é um texto bem mais curto, mas tão bom quanto os outros, com uma levantamento de questões sobre diversão e entretenimento que ele abordaria depois em Graça Infinita.

O quarto ensaio relata uma visita que DFW fez a uma feira de Lagostas no Maine. O centro do artigo é levantar o questionamento sobre o quão moral é esquentar e matar uma lagosta para se alimentar dela. Mas não se iluda achando que se trata de um texto enfadonho e meramente filosófico. Novamente, temos um ensaio no qual Wallace parece conversar com a gente, mesmo abordando um tema mais denso.

O quinto texto é um belo discurso de paraninfo de Wallace. Por fim, o último ensaio nos traz toda a paixão de Wallace por tênis (tema também central em Graça Infinita), particularmente por Roger Federer. Embora esse ensaio seja um pouco mais específico que os demais, ainda assim eu acredito que mesmo um leigo em tênis vá gostar de ler.

No geral, o que se pode dizer sobre essa coletânea é que ela mostra a genialidade de um escritor que consegue abordar uma miríade de temas e assuntos de uma forma suave, cativante, sincera e com seu humor peculiar. É como conversar com um velho amigo. Leia esse livro.

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