A Visita Cruel do Tempo – Jennifer Egan

Sinopse: Da São Francisco dos anos 1970 à Nova York de um futuro próximo, Jennifer Egan tece uma narrativa caleidoscópica, que alterna vozes e perspectivas, cenários e personagens para contar como os sonhos se constroem e se desfazem ao longo da vida. Obra vencedora do Pulitzer, do National Book Critics Circle Award e do LA Times Book Prize no ano de 2011, A visita cruel do tempo é composto por histórias curtas – 13 faixas sobre relações familiares, indústria fonográfica, jornalismo de celebridades, efeitos da tecnologia, viagens e a busca por identidade versus o esfacelamento de ideais -, interligadas pelas memórias de um grupo de personagens em diferentes pontos de suas vidas. Bennie Salazar é um executivo da indústria fonográfica. Ex-integrante de uma banda de punk, ele foi o responsável pela descoberta e pelo sucesso dos Conduits, cujo guitarrista, Bosco, fazia com que Iggy Pop parecesse tranquilo no palco. Jules Jones é um repórter de celebridades preso por atacar uma atriz durante uma entrevista e vê na última – e suicida – turnê de Bosco a oportunidade de reerguer a própria carreira. Jules é irmão de Stephanie, casada com Bennie, que teve como mentor Lou, um produtor musical viciado em cocaína e em garotinhas. Sasha é a assistente cleptomaníaca de Bennie, e seu passado desregrado e seu futuro estruturado parecem tão desconexos quanto as tramas dos muitos personagens que compõem esta história sobre música, sobrevivência e a suscetibilidade humana sob as garras do tempo.

Nacionalidade do autor: 
Ano da publicação do texto: 2010

Esse foi o primeiro livro da Jennifer Egan que li e minhas expectativas eram altas, pois é um livro que recebeu diversos prêmios. Mas posso dizer tranquilamente que fiquei desapontado com a leitura.

Em resumo, acompanhamos durante o livro a história de alguns personagens, dos quais os principais são Bennie, um produtor musical, e Sasha, sua secretária cleptomaniaca. No entanto, cada capítulo apresenta um período diferente na vida desses personagens centrais e sob a perspectiva dos personagens secundários que os envolvem. Assim, enquanto um capítulo aborda a adolescência punk de Bennie sob o ponto de vista de uma de suas amigas, em outro podemos presenciar a adolescência rebelde de Sasha sob a perspectiva de seu tio, que vai em busca dela em Nápoles. Assim, cada capítulo é um fragmento onde podemos conhecer, através de diversas lentes, um pouco sobre a vida de Bennie e Sasha. O tempo, como presente no título, deixa sua marca ao revelar que todos os personagens, de uma forma ou outra, assim como todos nós, acabam por envelhecer. Um outro tema central no livro é a comunicação, refletido até mesmo na própria linguagem narrativa. Temos um capítulo onde a perspectiva de uma criança de 12 anos é contada através de slides (isso mesmo, slides tipo Power Point). Em outro, percebe-se claramente que as pessoas não desgrudam de seus “consoles”, que basicamente são celulares.

Embora a proposta seja interessante, eu achei que o livro não atinge seu potencial e não justifica essa abundância de premiações. Fazendo uma alegoria, senti que o livro é como uma árvore cheia de galhos curtos, pouco desenvolvidos. Existe um tronco principal representado pela história de Bennie, Sasha e talvez mais um ou dois personagens. Desse tronco saem diversos galhos, que são os sub-enredos e os diversos personagens secundários, que vão se desenvolvendo durante um capítulo e depois puft, são abandonados e não se sabe mais sobre seu futuro. Então, ao invés de termos uma árvore grande e toda cheia de folhas e flores, temos uma planta cheia de galhos curtos e secos, que parecem que precisam ser cortados, pois, além de não terem grandes funções para a sobrevivência dessa árvore, nem mesmo acrescentam grandes coisas à sua estética. Enfim, temos diversas histórias que parecem terem sido abandonadas no meio do caminho, servindo meramente como atavios narrativos. Não é um livro ruim, apenas um bocado superestimado.

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