Vitória – Joseph Conrad (TAG)

Sinopse: Vitória foi finalizado em maio de 1914, mas publicado apenas no ano seguinte, já em meio à Primeira Guerra Mundial. O livro traz temas recorrentes na obra de Conrad, como a solidão, a inconformidade com o mundo, o conflito entre o mal e a esperança. Seu protagonista, Axel Heyst, instala-se em uma ilha no sul asiático, em total isolamento, após um fracasso comercial que não abala sua aceitação resignada do destino. Mas a aparição de uma jovem musicista desperta nele um instinto de proteção que o levara a uma crise de identidade, e mais tarde, ao enfrentamento de grandes perigos.

Nacionalidade do autor: 
Ano da publicação do texto: 1915

“Vitória” é um daqueles romances em que os personagens parecem saltar das páginas como se estivessem bem ali, ao seu lado, esculpidos em todas as suas complexidades. A história gira em torno de Heyst, um sueco que decide se isolar do mundo na ilha de Samburan, nos mares do Oriente, onde trabalhava como gerente de uma fracassada companhia carbonífera que havia se instalado na ilha. Herdando a filosofia pregada pelo seu próprio pai, Heyst vê o mundo com distanciamento, procurando ficar alheio aos interesses e desejos mundanos. Ao mesmo tempo, é um sujeito que se deixa levar por atos altruístas e bondosos.

Quebrando esse seu distanciamento, Heyst decide ir a uma ilha habitada para resolver alguns negócios e acaba por conhecer Lena, uma violinista de um grupo de músicos que se apresenta todas as noites do hotel em que ele fica hospedado. A jovem é infeliz e sofre nas mãos dos seus patrões, além de ser perseguida por Schomberg, o dono do hotel que tenta conquista-la e que, ao mesmo tempo, fomenta uma ira completamente inexplicada por Heyst. Essa ira só aumenta quando Heyst decide fugir com Lena para Samburan, o que causará sérias complicações para o protagonista no desenrolar da narrativa. Posteriormente, somos introduzidos a mais uma série de personagens nada amistosos, como o cavalheiro “Sr. Jones e nada mais”, um sujeito maléfico com fobia de mulheres (sim!), e seu assistente de pilhagens, Ricardo Martin, que também não é nenhuma flor que se cheire. Conrad cria uma tensão muito bem trabalhada quando junta quase todos esses personagens na ilha inóspita de Samburan, em um confronto claro de ideais e interesses diante das diversas facetas da vida.

Ainda que todos esses personagens possam ser facilmente separados entre os “vilões” e os “heróis”, o autor não constrói seres unidimensionais. Todos eles apresentam suas fraquezas e questionamentos, o que, juntamente com a bela escrita de Conrad, não permite que o livro seja subjugado apenas à categoria de um thriller aventuresco comum. Ele é muito mais do que isso, trazendo reflexões sobre o quão é possível se isolar dos males que nos rondam, ainda que, para isso, tenhamos que abdicar de alguns dos nossos desejos e ilusões. Como escrito no posfácio, Conrad também deixou transparecer na história uma grande influência dos escritos de Schopenhauer e seu constante pessimismo, o que acaba por dar uma solidez mais forte ainda aos pensamentos e reflexões no livro, principalmente aqueles que matutam na cabeça de Heyst. Como uma última observação, vale meus aplausos para a capa dessa edição da TAG/Dublinense, que provavelmente é a mais linda da minha estante. Se a descrição da história ou a resenha não te incitaram a dar uma chance para essa obra, talvez valha a pena contradizer o velho ditado popular e julgar esse livro pela capa, pois os dois são realmente belos.

classificação

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s