Uns e Outros: Contos Espelhados – Vários Autores (TAG)

Sinopse: A ideia do livro foi que dez autores lusófonos escolhessem um conto cada, de um autor considerado clássico, para servir de inspiração para uma releitura original. Desta forma, o debate vai girar em torno das influências literárias, do processo de recriação de obras clássicas e dos efeitos do espelhamento resultante dessa experiência.

Nacionalidade do autor:  / 
Ano da publicação do texto: 2017

Esse é o primeiro livro que li da TAG e, para minha satisfação, achei um excelente livro.

É evidente que há uma diversidade na qualidade dos contos, mas, dentre todos, posso dizer que não gostei apenas de um deles (uma das releituras). Dentre os clássicos, adorei todos. O que dizer dessa passagem no conto de Clarice Lispector, sobre os pensamentos de uma mulher que, quando menina, era apaixonada por seu professor?

“Na minha impureza eu havia depositado a esperança de redenção nos adultos. A necessidade de acreditar na minha bondade futura fazia com que eu venerasse os grandes, que eu fizera à minha imagem, mas a uma imagem de mim enfim purificada pela penitência do crescimento, enfim liberta da alma suja de menina”.

A releitura desse conto, feita por Eliane Brum, não é menos contundente e nem piegas. Vista através dos olhos do professor, deixa transparecer uma relação que mistura lados um tanto quanto conflitantes: amor platônico e pedofilia.

Outro exemplo de extrema qualidade é o conto de Monteiro Lobato, retratando os maus tratos sofridos por uma menina orfã de uma escrava. O único momento singelo de felicidade que a menina tem é quando se depara pela primeira vez com uma boneca. Monteiro descreve essa experiência assim:

“Varia a pele, a condição, mas a alma da criança é a mesma – na princesinha e na mendiga. E para ambas, é a boneca o supremo enlevo. Dá a natureza dois momentos divinos à vida da mulher: o momento da boneca – preparatório -, e o momento dos filhos – definitivo. Depois disso, está extinta a mulher”.

Novamente, a releitura desse conto, feita por Ana Maria Gonçalvez, é muito boa, retratando o preconceito contemporâneo mal velado.

Também destacaria a releitura de José Luis Peixoto do conto “Um Homem Célebre” de Machado de Assis. Talvez seja a melhor releitura de todas. Nela, Peixoto se transporta, como escritor, para a pele e para as reflexões do próprio personagem que cria, um escritor “célebre”.

Fica a indicação do livro e os parabéns à TAG.

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