Pastoral Americana – Philip Roth

Sinopse: Seymour “Sueco” Levov, um lendário atleta universitário, devotado homem de família, trabalhador esforçado e próspero herdeiro, envelhece na triunfante América do pós-guerra, vendo esfumar-se tudo o que ama quando o país começa a efervescer nos turbulentos anos 60. Nem o mais tranquilo e bem-intencionado cidadão consegue escapar à vassourada da história, nem o Sueco pode permanecer para sempre na felicidade do amado e velho sítio em que vive com a sua bela mulher e a filha, que se torna uma revolucionária terrorista apostada em destruir o paraíso de seu pai.

Nacionalidade do autor: 
Ano da publicação do texto: 1997

“Pastoral Americana” nada mais é do que um sinônimo do American Dream e, como não podia deixar de ser, é um livro que traz uma crítica contundente a esse sonho. Acompanhamos, desde o início, a admiração que nosso narrador – Nathan Zuckerman, um escritor e suposto alter-ego de Philip Roth – nutre por uma figura que marcou sua infância: Seymour Levov, ou o Sueco. Desde os tempos da escola, o Sueco, garoto judeu, era um rapaz que se destacava em tudo o que fazia. Além das habilidades físicas, se mostrava um rapaz compreensivo, honesto e que sempre procurava agradar e respeitar as vontades alheias. Uma dessas vontades era a de seu pai, que queria ver o filho ser o herdeiro e administrador de sua próspera empresa de luvas. Como de costume, o Sueco obedece a vontade do pai e assume a firma. Sem surpresa alguma, a fábrica de luvas continua prosperando. Também sem surpresa, Seymour se casa com uma mulher linda, católica, humilde e inteligente: a Miss New Jersey, Dawn Dwyer. Fora os pequenos entreveros entre seu pai e sua esposa no início do namoro, demonstrando um conflito de egos e tradições arraigadas do judaísmo e catolicismo, o Sueco cria sua pastoral americana, levando uma vida tranquila e próspera, afastando-se também dos percalços da grande cidade ao ir morar em uma casa no campo, como desejava desde criança. Essa vida dos sonhos não é abalada nem mesmo quando nasce sua primeira filha, Merry, uma criança que demonstra uma inteligência acima da média, porém apresenta problemas de gagueira. A família está feliz e completa, até que Merry entra em sua fase de juventude contestadora justamente no mesmo período de auge da Guerra do Vietnã e, num dia como qualquer outro, decide por uma bomba no pacato correio da pacata cidade em que mora.

Buuum! Eis a destruição da pastoral idílica. Pouco importa falar do nosso narrador, que vai sendo esquecido nessa resenha da mesma forma que Philip Roth o esquece no livro. Tudo gira em torno do mundo e da família de Seymour Levov. Especificamente, a história trata da tentativa do Sueco entender os motivos que levaram ao fatídico acontecimento e lidar com os acontecimentos que se seguiram a esse dia. Observamos um mergulho profundo na psicologia de um personagem destruído por algo inimaginável, catando os fragmentos de um lar que foi pelos ares.

Já fiquem de sobreaviso que “Pastoral Americana” não é uma leitura leve. Aliás, é o extremo oposto: é pesada, pois o que lemos é o peso de uma consciência, o peso da perda de uma filha. O Sueco e Merry são dois personagens explorados até o mais profundo dos seus âmagos, sendo, certamente, essa a grande qualidade da escrita de Roth. Por outro lado, não espere grandes mistérios na trama, pois esse livro está definitivamente voltado para o escrutínio minucioso dos dramas pessoais. E isso também pesa…

Para meu gosto, pesa um pouco demais até. Muitas vezes, faltou-me combustível para realizar uma leitura mais fluida, pois, ao mesmo tempo que não é um livro curto, exige-nos total concentração para que possamos realizar uma imersão nas mentes perturbadas dos personagens. Não imagino ser possível adentrar essa leitura como se fosse um passatempo leve ou uma distração qualquer, visto que, ao encarar o livro dessa forma, torna-se impossível extrair o que há de melhor nele. Hora eu consegui a imersão, hora não. Particularmente, os diálogos entre pai e filha são desses momentos realmente incríveis, sendo difícil não concordar que temos em mãos uma obra digna dos mais elevados elogios. No entanto, os momentos de retomada dos acontecimentos que compuseram o passado dos personagens podem ser muito cansativos, com exageros de detalhes e descrições que nem sempre têm uma função muito clara para a composição da história. Portanto, se pretende bisbilhotar a vida dos Levov, saiba que terá acesso aos mínimos detalhes da história dessa família, mas saiba também que ficará por sua conta aguentar o peso de acompanhar, sem nenhum alívio, a mente de quem teve sua pastoral destruída.

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