Paraíso Perdido – John Milton

Sinopse: A epopéia Paraíso Perdido (1667), de Jonh Milton, recria o conflito entre Lúcifer e Deus com a metafísica monista e uma espécie de materialismo cristão. Composta de 12 cantos e escrita em pentâmetros ingleses, a obra apresenta a inovação dos versos brancos (sem rima).

Nacionalidade do autor: 
Ano da publicação do texto: 1674

Quando pego na mão um livro cuja idade ultrapassa um século é: hum… esse aí deve ser difícil. Essa sensação se agrava quando este livro é escrito em formato de poema. Esse é o caso de “Paraíso Perdido”. Mas aí vem a dúvida: ele é um texto rebuscado, floreado e difícil? É. Isso significa que a leitura é impossível? Não. Significa que o livro é chato? Também não. Simplesmente significa que é um livro do seu tempo, um poema escrito em meados do século XVII. Uma pequena vantagem – ao menos para algumas pessoas – é que se trata de passagens bíblicas bem conhecidas. Uma segunda vantagem é que o livro é dividido em 12 Cantos – ou capítulos –, sendo que, no começo de cada um deles, há um breve resumo descrevendo o que será contado ali. Então, à parte o léxico extenso e às construções gramaticais empregadas por John Milton e seu tradutor Lima Leitão – porque o tradutor de um texto tão complexo como este acaba sendo quase um coautor -, a obra é totalmente inteligível.

Tendo isso em vista, trata-se de um baita livro, não à toa considerado um dos grandes textos da literatura inglesa e mundial. Afundamos com Satã e seus seguidores até os recônditos mais quentes das lavas infernais, acompanhando a queda do exército de anjos rebelados perante a punição do Deus soberano. Não contente com a derrota, Satã fica sabendo da criação de um novo Mundo, onde Deus fez um ser semelhante à sua imagem. Ciente de que o combate direto contra todo o reino celestial seria uma vingança infrutífera, trazendo uma derrota certa, decide ir sozinho a esse novo lugar para tentar perverter o homem com a tentação do pecado e a consequente punição da mortalidade. Então, entra em cena Adão e Eva, e o final dessa história todo mundo já sabe.

Se a história em si não é novidade e nem guarda surpresas, o poder do livro está na beleza do texto e nos personagens. Os personagens do poema são sensacionais. Desde Satã, passando pelos anjos caídos, Adão, Eva, até chegar em Deus, cada um deles reflete um poder imenso na narrativa e apresentam algumas características mais salientes do que outras em suas ações. À parte a crença pessoal do leitor, percebe-se em Satã um personagem potente, insistente e questionador. Por seu lado, Deus demonstra sempre um ar de clarividência e até certa pompa em sua segurança de entidade graciosa e suprema, que tudo sabe e tudo decide. Nesse quesito, é possível até que o leitor tenha certa empatia pela causa rebelde de Satã, pois é aquele que não aceita ser mandado e subjugado por um ser superior e onisciente. Da mesma forma, é possível fazer uma leitura interessante na forma como Adão e Eva compõem a história contada através das palavras de Milton. Evidentemente que o autor, apesar de se basear na história bíblica, recebeu também a influência das normas e convenções de sua época, ressaltando no texto – seja conscientemente ou inconscientemente – a inferioridade e teimosia de Eva perante à perfeição e pureza de Adão, ainda que os dois acabem comendo o fruto da árvore da ciência. Isso seria um prato cheio para discussões interessantes sobre os pontos levantados pelas feministas contemporâneas, ainda que se deva sempre ter em mente todo o contexto da obra de Milton, tomando cuidado para que não se levante críticas absurdas e atemporais.

Finalmente, se nada disso parece lhe interessar, talvez o trabalho gráfico da Martin Claret seja o suficiente para fazer você comprar essa obra magistral. A edição está impecável e a capa é simplesmente divina, ou melhor, infernal. Não cometa o pecado de não considerar adquirir essa beleza. Papai do céu está de olho em você. Possivelmente, será o livro mais bonito que você vai ter em sua coleção.

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