O Mundo Segundo Garp – John Irving

Sinopse: Traduzido em mais de 30 idiomas, O mundo segundo Garp estabeleceu John Irving como um dos grandes prosadores norte-americanos. Adaptado para o cinema com Robin Williams no papel principal, o romance gira em torno de um talentoso escritor cuja trajetória é marcada, ao mesmo tempo, pelo trágico e pelo inusitado. Com uma galeria de personagens adoráveis e excêntricos que fazem parte da vida e obra de Garp, a trama leva o leitor a um jogo metalinguístico absolutamente sedutor.

Nacionalidade do autor: 
Ano da publicação do texto: 1978

Escolhi o “O Mundo Segundo Garp” dentre algumas (poucas) opções de livros que tinha para trocar por alguns pontos desses programas de posto de gasolina. Portanto, desde o princípio, não foi um livro que constava na minha lista de desejos ou que havia despertado em mim uma vontade súbita de leitura. A falta de opções, misturada com uma sinopse razoável e uma rápida pesquisa na internet, fizeram-me optar por esse romance.

Sobre a história em si, acompanhamos, nos primeiros capítulos, a vida de Jenny Fields, uma enfermeira de personalidade independente que abomina os homens e suas luxúrias. Ela deseja ter um filho, mas se recusa a entrar em qualquer tipo de relacionamento. Seu desejo é saciado com um soldado do exército americano que se encontra em um estado quase vegetativo e se torna um de seus pacientes. De uma relação isolada com o corpo desse soldado, nasce T. S. Garp, o protagonista que dá nome ao livro. Seguimos a vida de Jenny e Garp ao longo dos anos, as aventuras do menino na Escola Steering, a viagem dos dois para Viena e o surgimento das habilidades de Garp – e da mãe – como romancista. Também acompanhamos o florescimento de uma líder do movimento feminista nos EUA. Aliás, esse é um dos motes centrais do livro: um confronto latente entre os sexos e o fortalecimento pela luta dos direitos das mulheres. Além disso, a história contém inúmeras situações que discutem os relacionamentos conjugais e, como uma coisa leva à outra, os extraconjugais também. No entanto, esses talvez não sejam os principais temas que permeiam a narrativa. Testemunhamos a construção da família de Garp e seus medos e receios como pai: proteger seus filhos dos males mundanos. Provavelmente, como o próprio John Irving nos conta em um epílogo no final do livro, talvez esse seja o ponto unificador que se sobressai nessa história.

Ainda que seja um misto de assuntos e tragédias contados por um texto bem simples e direto, vez ou outra temos que aguentar um narrador que soa enfadonho e excessivamente descritivo (exemplo: “X pensava isso e aquilo. Segundo X, isso e aquilo eram… Mas X não gostava disso e daquilo outro…”), o que prejudicou minha percepção de qualidade do livro. O meu sentimento de indiferença do início da leitura acabou se prolongando durante todo o livro. Não que seja uma história ruim, mas também não consegue saltar aos olhos. É uma narrativa linear, com uma ou outra cena mais criativa, mas sem nada que se possa dizer de “literaturamente” revolucionário ou que traga discussões e pensamentos mais profundos. Ainda que rodeie temas interessantes, faz isso apenas marginalmente, como um elemento que se insere e se encerra dentro da própria narrativa. Não senti grandes reverberações após a leitura.

Vale como uma leitura sem grandes compromissos e sem grandes expectativas. Com certeza não dá para dizer que foi menos do que eu esperava com a troca dos meus pontos de fidelidade do posto de gasolina. Mas se tivesse que “trocar” pelo meu dinheiro, eu passaria.

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