Morreste-me – José Luís Peixoto

Sinopse: Morreste-me foi o livro que revelou o escritor português José Luís Peixoto. Publicada em 2000, é uma obra tocante e comovente: é o relato da morte do pai, o relato do luto e, ao mesmo tempo, uma homenagem, uma memória redentora.

Nacionalidade do autor: 
Ano da publicação do texto: 2000

Romances muito curtos ou novelas trazem uma ameaça intrínseca para mim, já que sempre fico com uma ligeira suspeita martelando na minha cabeça, perguntando se aquela história que estou prestes a ler conseguirá ser bem desenvolvida e trabalhada em tão poucas páginas. É bem verdade que essa suspeita também surge no lado oposto do espectro, quando me deparo com verdadeiros calhamaços que me fazem questionar sobre a real necessidade de tantas páginas. Essas são apenas suspeitas protocolares do pré-leitura, provavelmente sem sentido nenhum, já que é evidente que existem tanto as obras geniais que são curtíssimas quanto as obras primas longas e extensas ao extremo. “Morreste-me” é um desses livros que entram na primeira categoria, uma verdadeira pepita de diamante (são pouco mais de 60 páginas que, em diagramações mais convencionais, não daria nem mesmo umas 30).

A história é narrada em primeira pessoa por um homem que perde seu pai. Não há suspense a ser revelado nem trama a ser desvendada. O que descobrimos, página após página, é a capacidade soberba da escrita de José Luís Peixoto que, com uma sensibilidade incomum, deixa aflorar, em suas palavras, a angústia e a saudade de um filho que, a partir de agora, só verá o pai através do reflexo de si mesmo no espelho e nos pequenos objetos do cotidiano que guardam as memórias retidas no luto profundo. Dificilmente eu acho um livro tocante, por melhor que ele seja escrito, mas “Morreste-me” é de um lirismo tão verdadeiro que realmente nos faz compartilhar dos pesares do narrador como se estivéssemos bem ali ao lado dele. Por algum motivo estranho – até porque a história não tem nada a ver uma com a outra -, essa leitura me lembrou de “Um Copo de Cólera”, porém cada uma me incutindo percepções opostas. Enquanto o lirismo de Peixoto me pareceu extremamente factível, real e cativante, a narrativa de Raduan Nassar me soou um pouco suspeita e artificial, ainda que eu admita que esteja bem isolado no que diz respeito a esse ponto de vista. Mas vá lá, foi apenas uma questão que me veio de repente e estamos aqui para cantar os méritos de um livro, sem necessidade de desmerecer algum outro. E para que eu não me estenda mais do que o devido, o melhor a fazer é terminar logo essa resenha com uma forte recomendação de leitura, afinal, se por acaso você não gostar, também não vai ter gastado muito do seu tempo.

classificação

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s