Laranja Mecânica – Anthony Burgess

Sinopse:O General Löwensköld foi um tremendo herói de guerra, mas, com a idade, os feitos de violência pesam-lhe na memória e decide fazer-se enterrar com o valioso anel que o rei lhe tinha dado por recompensa dos seus feitos. Dessa forma, a sua família ficaria livre dos fantasmas do passado violento do fundador.

Nacionalidade do autor:
Ano da publicação do texto: 1962

Ó, meus irmãos, permita a seu Vosso Humilde Narrador govoretar rapidamente sobre esse livro horrorshow. Embora os maltchiks e devotchkas que estejam lendo isso certamente já tenham uma boa noção do que se trata essa história, é sempre bom videar algo novo. Sendo assim, nada mais justo do que filar um pouco com as palavras e confundir os pensamentos que passam por sua gúliver. No entanto, caro drugui, não fique razdraz comigo. Tome isso como uma veshka inocente, pois não há necessidade de kopatar tudo o que está escrito aqui.

É dessa maneira que acompanhamos as quase 300 páginas narradas por Alex, o jovem protagonista atordoado de Laranja Mecânica. A história deste clássico distópico já é de conhecimento geral: uma sociedade tomada por uma onda de violência em que jovens delinquentes vagam em gangues pelas ruas, simplesmente tocando o terror por onde passam, com direito a momentos de máxima violência, incluindo assassinato e estupro. Como não poderia deixar de ser, esses jovens possuem um linguajar próprio – o nadsat -, marcado por um número considerável de gírias e palavras esquisitas, a maioria de inspiração na língua russa. É dessa forma que Anthony Burgess insere uma forte marca na escrita da obra, permitindo transportar, através das páginas, o universo nefasto que sua criatividade acabou por construir em sua mente. Somos gratos a isso.

Embora esse dialeto cause uma certa estranheza de início e haja a possibilidade de consultar ao longo da leitura um glossário que consta no final do livro, a minha recomendação (e a de Burgess também) é que procure evitar a tentação, pois parte da imersão está no enfrentamento desse linguajar. Aliás, vamos aprendendo o nadsat conforme avançamos na leitura, de forma que, ao final, estamos utilizando essas palavras de brincadeira no nosso dia-a-dia, ou mesmo começando uma resenha com essas palavras insólitas.

Deixando a forma um pouco de lado, a grande discussão que se depreende da obra diz respeito aos dilemas criados por Burgess: seria melhor prescindir do livre-arbítrio para ajudar a manter a ordem social? Teria o Estado o direito de utilizar todos os meios disponíveis a fim de evitar o aumento da criminalidade, ainda que transformando um sujeito imbuído de preferências e de uma ética própria (mesmo que distorcida) em uma laranja mecânica? Questões sempre atuais, diga-se.

São por essas provações e transformações físicas e mentais que o delinquente Alex irá passar ao longo da trama. Da parte do leitor, nosso senso de justiça ficará constantemente sendo posto à prova ante as inúmeras provocações e deliberações morais que são levantadas por Burgess. Como toda boa obra de distopia ou de ficção científica, é justamente o surgimento dessas reflexões que nos permite traçar os paralelos entre o que está apenas ali escrito no papel, pura ficção, e o que está de fato ocorrendo à nossa volta, no que costumamos chamar de “realidade”. Assim, esse é o tipo de livro em que a mera diversão transcende a literatura para nos colocar em uma posição de reflexão incomodavelmente boa, na medida em que a contradição dos termos nos permita alguma compreensão.

classificação:

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s