Flores da Ruína – Patrick Modiano

Sinopse:Em 24 de abril de 1933, dois jovens cônjuges se suicidam em seu apartamento em Paris. Naquela noite, eles teriam se encontrado com diversas pessoas e foram dançar. Trinta anos depois, o narrador tenta reconstruir a história deles, que parece se cruzar com a sua própria. Cada pergunta suscita outras, como um eco, ao curso de andanças fantasmagóricas por Paris, de lembranças que retornam à memória…

Nacionalidade do autor:  
Ano da publicação do texto: 1991

É difícil entender o que há de bom ou de interessante em “Flores da Ruína”. A principal tragédia para o leitor começa quando se coloca uma expectativa elevada no momento pré-leitura. Afinal, trata-se de um autor Prêmio Nobel. O livro até começa com um ponto interessante, no qual o narrador nos relata alguns acontecimentos do passado que viraram notícia na época: um casal sai de casa, vai até a casa peculiar de um sujeito desconhecido, depois vão todos até uma boate, em seguida o casal leva alguns indivíduos para a casa deles – sabe-se lá por qual motivo -, os indivíduos vão embora e, finalmente, o casal se mata ou se suicida – também sabe-se lá por qual razão. O mistério está lançado: o que ocorreu naquele dia? Mais do que isso, por que o narrador está lembrando dessa história enquanto vaga pelas ruas de Paris? Será que, apesar de ter ocorrido em um passado tão longínquo, essa história tem algo a ver com a sua própria?

Enfim, temos todos os elementos para um belo livro detetivesco ou de memórias. Modiano escolhe a última opção, infelizmente. Não que uma história que se desenrole pelos relatos do passado não possa ser excelente, longe disso, mas a forma como o narrador nos conta o que vai lembrando é extremamente enfadonha. Duas coisas concorrem para esse efeito. Primeiro, os relatos são confusos – até aí tudo bem, porque isso pode se justificar pela memória ser, por si só, um recurso falho e enganador -, mas confusos no sentido de que os acontecimentos lembrados parecem ser coisas completamente desconexas e que não levam a lugar algum ou a nenhum tipo de conclusão e desfecho. O mistério da morte do casal? Aí vai um rápido spoiler, talvez necessário para o bem-estar de quem pretenda ler: esqueça. Além de não ser resolvido, ele simplesmente some com o passar do livro e passa a ser irrelevante para a história. Em certos momentos, é sugerido que esse mistério tem algo a ver com o próprio passado do narrador e sua namorada, que vivem juntos com uma certa rebeldia por Paris, embora isso ocorra décadas depois desse caso de suicídio/assassinato. Alguns personagens esquisitos também são relembrados pelo narrador ao revisitar seu passado, mas não se sabe ao certo qual é a relevância deles para a história e para o próprio narrador.

Além dessa confusão estrutural, o segundo ponto que torna o livro uma experiência de amarga decepção literária é o número de ruas e endereços de Paris que são citados por página. Sem brincadeira, são muitas, inúmeras. Suspeito que o objetivo todo da história seja simplesmente descrever a geografia de Paris através de memórias aleatórias. Isso é muito, muito chato. É algo do tipo: “então, estava caminhando pela rua X e decidi ir para Y, mas, para isso, tive que pegar o metrô na estação A, fazer uma baldeação em B e, enfim, chegar em C para ir caminhando 5 minutos a pé até Y”. Acredito que até para um carteiro ou para um motorista de táxi de Paris essas descrições se tornem maçantes.

O resumo da ópera é uma leitura decepcionante, chatíssima. O lado bom é que o livro é curto. Posso ter deixado passar conexões que dariam explicações e sentido para o que está sendo narrado? Certamente há essa possibilidade, mas eu não posso assumir que ela existe e me auto ludibriar em uma pretensa obra-prima que está ali, escondida. Não sei por quais trabalhos Modiano recebeu a principal condecoração literária, mas, se essa for considerada uma de suas principais obras – e imagino que sim, dado que compõe o que se conhece por “Trilogia Essencial” do autor -, quero ficar bem longe das outras.

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