A Exposição das Rosas e A Família Tóth – István Örkény

Sinopse:  As duas novelas aqui reunidas oferecem uma oportunidade rara para o leitor brasileiro entrar em contato com a obra do escritor húngaro István Örkény (1912-1979), um dos mestres da sátira e do humor negro no século XX, em traduções realizadas diretamente do original. Nestas histórias que combinam ironia, nonsense e um gosto singular pelo grotesco e o tragicômico, o que se revela, como bem assinalou Moacyr Scliar, “é a própria condição humana, em sua imensa fragilidade”.

Nacionalidade do autor: 
Ano da publicação do texto: 1967 / 1977

“A Exposição das Rosas e A Família Tóth” são duas novelas do escritor húngaro István Örkény. Na primeira delas, acompanhamos os esforços da família Tóth – pai, mãe e filha – para receberem em sua casa um major que é o superior do jovem Tóth – o filho da família -, que se encontra em campanha com o exército húngaro. Ao saber que seu chefe iria precisar fazer uma pausa de alguns dias para descanso, o jovem Tóth consegue o convencer a passar esse período na residência de sua família, onde ele teria todo o conforto possível e um cheiro constante dos pinheiros da região. É claro que seu objetivo último é conseguir agradar o máximo possível o major para que consiga algumas regalias no retorno de seu superior ao exército. No entanto, nessa novela não acompanhamos a vida do Tóth filho. Örkény nos faz observar toda a preocupação e os preparativos do pai, da mãe e da filha Tóth para receberem o major e garantir que suas vontades e desejos sejam realizados. Afinal, não vale qualquer esforço para garantir o bem do filho que está longe de casa, em meio a um conflito armado? Mal sabe a família que os desejos, a rotina e o temperamento do major são os mais excêntricos possíveis, o que dá à novela um tom engraçado e um bom tempero kafkaniano de absurdos e exploração do homem comum. Por exemplo, o major sente desejo de se juntar à uma das atividades que as mulheres da família Tóth estavam exercendo para complementar a renda: montar caixas. Isso mesmo, montar algumas caixas de papelão. Mas o problema é que, dada sua rotina e sua insônia, o major preferia fazer isso de madrugada e ir dormir pela manhã. E tem mais: de acordo com as informações do filho, o major não gostava de ver os outros com falta de empolgação ou com sono enquanto ele mesmo não estivesse com sono ou estivesse imerso em alguma atividade. Como resultado, toda a família Tóth passa a praticamente não dormir, de modo a acompanhar e agradar o major na montagem de caixas. Esse e outros pequenos abusos vão surgindo nessa deliciosa novela, sendo um verdadeiro deleite acompanhar essa história ao mesmo tempo absurda e engraçada que Örkény traça da zona rural de seu país.

A segunda novela, “A Exposição das Rosas”, apresenta a ambição de um diretor de TV estatal que ganha aprovação e financiamento para gravar sua obra-prima: um documentário em que acompanhará os últimos momentos da vida de algumas pessoas que estão prestes a morrer. Quer dizer, mais ou menos isso, pois, na verdade, dos três “atores” pré-selecionados, um deles morre antes de se iniciarem as gravações, outro não está tão mal assim de saúde e apenas um se encontra em uma situação mais crítica. Assim como na primeira novela, a trama se sobressai pela comédia extraída das situações absurdas. O diretor faz de tudo para que o momento da morte dos atores tenha o maior efeito dramático possível, passando por cima de questões éticas e morais. E o absurdo vai além, pois não se trata de uma narrativa com um personagem maniqueísta, representando a ganância e mal: os próprios parentes dos atores – ou melhor, das vítimas – estão mais preocupados em garantir a recompensa financeira pela participação no documentário do que propriamente com a morte alheia.

Por meio dessas duas novelas, o autor nos mostra a situação da Hungria no período de influência comunista, sempre com um olhar crítico através das lentes do absurdo. A burocracia estatal, a exploração do poder e as péssimas condições de vida são os temas que mais se sobressaem no livro de Örkény. Tanto pela temática quanto pela estética da narrativa, esse é um prato cheio para quem já é fã da obra de Franz Kafka. Vale muito a leitura.

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